- Visto que já vive com o seu namorado, conte-nos um pouco como está a ser essa experiência. Foi esse tempo a dois importante para uma decisão mais segura de agora pretenderem casar?
Por acaso tem piada a questão colocada, porque ainda ontem esse foi tema de conversa entre nós. Como optámos por um casamento religioso, foi-nos pedido que frequentássemos o bem conhecido CPM (curso de preparação para o casamento), o qual se iniciou ontem. Somos muitos casais presentes e apercebemo-nos que a maioria já vive junto e só depois disso está a decidir tomar esse passo.
Quanto a mim, isso é benéfico, já que uma vida a dois muda muitas coisas, requer vários ajustes e adaptações e permite dar o passo seguinte para o casamento com um conhecimento mais abrangente do que isso representa.
Ontem notava-se claramente entre os que vivem e não vivem juntos. Estes últimos, mesmo que já namorando há 10 anos ou mais, ainda continuam a ter uma visão mais... digamos, idílica do casamento: a vida a dois, uma casa própria, uma novidade, mas sem a noção clara do que vem com essa novidade e que nem sempre é tudo azul e rosa, existindo vários cinzentos aos quais é necessário saber dar cor.
Para nós, penso que o difícil não foi o passo do casamento e sim o de iniciar a vida a dois. Embora a nossa experiência até tenha sido suave e tenha corrido sempre muito naturalmente, ainda assim requer sempre ajustes e adaptações, pois passamos a contar com outra pessoa no nosso espaço e nós entramos no espaço de outro, sendo que cada um tem os seus hábitos, as suas rotinas que sempre irão ser alteradas.
Quando decidimos casar fizémo-lo tendo consciência plena do que representa, do lado melhor e pior, do que é partilhar a nossa vida com alguém, ter o apoio, o carinho, "aquele" alguém ali, mas também sabendo o que é um desacordo, uma discussão e a forma de os solucionar ou ultrapassar quando não têm solução. Sim, porque de facto nem todos os conflitos de um casa têm solução; mas todos são ultrapassáveis se as partes a isso se predispuserem.
Não sei se a prévia vida a dois permitiu uma decisão mais segura, porque nunca se poderá ter certezas absolutas de nada nesta vida, mas será certamente uma decisão mais consciente.